Rita, Portugal -> Itália, LDV

A Rita é de Portugal e realizou um LDV em Itália. Esta é a partilha da sua experiência!

C´era una volta …

3que embarquei numa real aventura em terras italianas, onde durante 3 meses, me senti em real hiperactividade e curiosidade constante ….e todo este poder de estimulação não veio dos deliciosos capuccinos que bebia todos os dias…

Fui atirada para a experiência, pelo bichinho de crescer profissionalmente e pessoalmente e posso dizer, que talvez o mais relevante do que vivi durante nestes tempos, pode ser resumido pela capacidade de me reinventar e possivelmente “sair da zona de conforto” que é o que conhecemos, e nos deixa tão confortáveis e em demasia pouco incomodados…

Falando em lições e agora que arrumo a cabeça…digo que a primeira grande lição foi a importância da humildade e da solidariedade. Sendo psicóloga de profissão, vi reduzido o meu principal instrumento de trabalho, comunicar, a uma nova estranha língua, que nos primeiros dias, mais parecia uma amálgama de canções desafinadas. Retive-me na gestualidade, na importância de tudo que é não verbal, e avidamente observei e aprendi, ainda melhor que qualquer curso formal, com as crianças e jovens com quem trabalhei me corrigiam incessantemente e com toda a seriedade na nova profissão adquirida de professores muito sapientes de italiano.

Em contexto intercultural, em convívio, com espanhóis, franceses, ingleses e gregos, tive uma ajuda séria de todos os voluntários que já chamavam o italiano por tu. A minha principal professora, agora amiga do coração, foi uma jovem francesa de 19 anos , que dominava o italiano de uma forma extraordinária. Assim a forma de sobreviver, na compra de comida, no pedido de informações, no que fazer em caso de me perder, foi treinado ao jantar, no meio de muita risota, fazendo guias de conversação cada vez mais úteis e mais completas.

Confesso que alguns momentos produzia frases não inteligíveis, onde reinava um artigo português, uma expressão espanhola, uma vírgula portuguesa e uma construção frásica italiana. Errei que me fartei, mas fui-me fazendo entender e entendi…2

2ª lição:

A importância do intercâmbio intercultural

A verdade é que a possibilidade de juntar diversas pessoas, de personalidades tão diferentes, de nacionalidades diversas, de gerações diferentes, todos com ideologias sociais, todas a viver no mesmo sítio, dava para escrever um tratado sociológico. Ressalvo que é de certo uma experiência de vida, de adaptação, de conhecimento de outras culturas, de aceitação de diferenças interpessoais. Não foi fácil, mas saliento as pessoas que conheci e que trago e guardo comigo.

Também destaco o espaço da Rampa, um espaço devoluto, como tantos em Roma, mas com uma personalidade muito própria. Foi realmente a minha casa durante 3 meses, com o que tem de bom e mau. Por um lado um ambiente com necessidade de ajustes nas condições e infraestrutura. Marcou-me muito negativamente aquela casa de banho a kms do meu quarto. Por outro é um espaço, que tem diversas associações, onde sempre acontece algo. Ouvimos piano forte e acordeão todo o dia e às vezes até noite, também aulas de dança, pessoas que entram e saem…e no espaço exterior, temos uma real RAMPA, inativa, onde diferentes grafitis contam diferentes histórias…

Neste espaço, no meu tempo livre, descansei, ri-me muito, tive saudades dos meus, toquei guitarra, dancei , fiz uma marioneta, pintei e fiz colagens em paredes e até no stencil me aventurei5

3ª lição

A História, a cultura e as pessoas…

Mergulhei num museu aberto, com tanta…história e beleza e que certamente irei voltar, nem que seja pelo mito da moeda da fontani de Trevi.

Sim posso, dizer, que houve tempo para me perder na Roma antiga, na Roma Cristã, na Roma Medieval onde as calorias perdidas nas belas pastas e pizzas, foram rapidamente exterminadas pelos km que andei.

É difícil destacar, o que mais gostei de visitar, não tendo pretensão de guia turístico, mas dou a dica de circuitos menos turísticos, como a bela e mais antiga estrada de Roma, chamada Appia Antiga. É marcante pela sua história e leva-nos claramente a uma viagem do tempo. Também a colina de Gianicollo e a Vila burguesa, foram o palco verde de passeios repetidos que guardo como uma bela recordação.

Posso dizer que percebi e senti, toda a emocionalidade e sensibilidade do povo italiano, sendo gentis e hospitaleiros. Roma em particular, tem um ambiente de multiculturalidade enorme, existindo uma grande taxa de emigração, assim como uma grande diversidade de centros sociais e associativismo. Verifiquei diferenças interessantes existindo de certa forma uma politica intercultural mais forte, com maior apoio das autarquias locais. Contudo também existe uma determinada anarquia e locais que funcionam de forma desorganizada.

Esse foi o aspeto que me marcou pela negativa, a desorganização, o trânsito e transportes caóticos e a fragilidade num pensamento ecológico. Roma é bella mas também suja!6

4ª lição

As descobertas profissionais, mas também a comparação e afirmação de boas práticas lusitanas.

A nível profissional, tive contacto em primeiro com uma associação muito dinâmica, que funciona como recurso na comunidade para crianças e jovens com deficiência. Destaco sobretudo a abordagem realizada numa prespetiva arte-terapêutica, que me pareceu bastante coesa e eficaz na sua forma de funcionamento.

Num dos laboratórios que participei, com um grupo de jovens adolescentes com diferentes problemáticas e défice cognitivo, foi a abordagem do corpo e da dança contemporânea, que observei a possibilidade de expressões únicas, individuais e colectivas, de uma possibilidade de expressar corporalmente emoções com criatividade e identidade. Nada estandartizado e mecânico como estou habituada a ver por aí. Também os laboratórios pais e filhos, na construção de uma narrativa e curta metragem, a horta social e comunitária. Enfim, um ambiente familiar que acolhe as pessoas, onde a diferença não é motivo de exclusão.

Também tive acesso, ao outro lado da moeda, uma instituição, com renome, congelada no tempo, com grande desmotivação dos recursos humanos. Percebi mais uma vez a problemática do abandono, na fórmula do envelhecimento somando ao handicap e a importância do valor humano, em todas as pessoas que trabalham na área da deficiência. Percebi que em Portugal já fazemos muito e também tentamos ser cada vez mais inclusivos…

Passei por algumas revoltas e fui encontrando o meu papel, nesta qualidade de portuguesa …que dá uns “toques em italiano”. Trago todos eles comigo…

Agora…é tempo de um novo capítulo!4

Rita Pinheiro

English version : 

C’era una volta… that I started a real adventure in Italy where I was for 3 months and felt in curiosity and hyperactivity all along and this was not achieved with these delicious capucinos that I drank everyday.

I was led to this experience by my professional need to grow and personaly I have to say that the most amazing that I lived can be summarize by the hability to reinvente myself and get out of my comfort box.

My first big lesson was the importance of humility and solidarity. As a psychologist I experienced having my primary work tool, communication, reduced to basis in the first days. I was confronted with a different idiom that sounded like a tuneless song. I had to resort to sign language and body expression and could observe and learn, better than in any class, with children and youngsters that would correct me every time and with all seriousness of a teacher.

About the intercultural context, I spent time with Spanish, French, English and Greek people. All the volunteers that already knew how to speak Italian helped me a lot. My leading teacher, who now is one of my closest friend, was a young French girl of 19 years-old. She spoke Italian fluently. I survived thanks to her. I could shop, ask for information, ask for help when I was lost, I was trained for dinner, we laught a lot, making more and more useful and complete conversation guides.

I confess that sometimes I did unintelligible sentences, with a Portuguese article, a Spanish expression, a Portuguese sign and, an Italian structure. I did a lot of mistakes, but I was getting better understood…

Second lesson:

The importance of the intercultural exchange:

The truth is that the possibility of putting together different people, with so different personalities, from different countries, different ages, and social ideologies, all together in the same place, was enough to write a sociological treaty. I emphasize that is a life experience for adaptation, knowledge of other cultures and to accept the personal differences with the others. It wasn’t easy, but I must stress the people I met, and who I will never forget.

I also highlight Rampa, an empty place, like many others in Rome, but with a really particular personality. This was my home for three months, with good and bad things. On one hand, the place needed some adjustment of the conditions and infrastructure. It was really hard for me to have the bathroom far away from my bedroom, for example. On the other hand, it was a space with several associations where there was always something going on. Every day we could enjoy the sound of the piano or the accordion and sometimes also during the night. There were also dancing lessons, people coming in and out… and outside, we had a real RAMPA where many graffities told different stories….

In this space, during my free time, I got rest, laughed a lot, missed my relatives and friends, I played the guitar, danced, made a puppet, painted and did collages on the walls, and I even tried the stencil.

Third lesson

The History, the culture and people…

I got into an open museum with so many histories and beauty… I am totally sure I will come back there, even just because of the coins in the Trevi Fountain.

I can say that I had time to get lost myself in the ancient Rome, the Christian Rome, the Medieval Rome… So, I remember that all the calories I got eating pasta and pizzas, I lost them directly after walking for kilometers.

It’s hard to choose what I prefered to visit. I don’t want to look like a tourist guide, but I can give you an advice, do the less touristic tours, like the beautiful and oldest road in Roma, called Appia Antiga. It’s important because of its history that transports us to the past. There are also the Gianicollo Hill and the Burguese Village that were the better green places to ride, and I keep them in mind like a beautiful memory.

I can also say that I felt and I understood all the emotion and sensitivity of the Italian people, who are very nice and hospitable. Rome, in particular, has a hugh multicultural environment, it has a very high inmigration level and a great diversity of social centers and associations. I noticed interesting differences in the strong intercultural politicy, with a main support from the local authorities. In spite of that, it also exists a determined anarchy and local people that work in a disorganized way.

For me the most negative aspect was the disorganization, the chaotic traffic and transport and the weakness about their ecological thinking. Rome is beautiful but also dirty!

Fourth lesson

The professional discoveries, but also the comparison and affirmation of good Portuguese practices

In a professional level, I was in contact, at the beginning, with a very dynamic association that worked like a resource, in the community, to children and youngsters with disability. I specially highlight the approach we made with an art-therapeutic perspective. I think it was very cohesive and efficient.

In one of the laboratories that I participated in with a group of youngsters with different problems and cognitive disabilities, I observed that the contemporary dance can give us unique, individual and collective expressions. We had the possibility of expressing emotions with our body with creativity and identity way. It wasn’t something standard and mechanic like the other times. The laboratories with parents and sons were also interesting to build a narrative piece and a short story movie with the social and community vegetable garden. Finally, there was a familiar environment that welcomed people and where no difference was a cause for exclusion.

I also had access , to the other side of this experience, to a reknown institution, frozen in the time, without any motivation from its workers. I saw, again, the abandonment problem, with all this people who work with desability area, they got stuck to aging due to the handicaps and the importance of the human valor. I understood that, in Portugal, we do much more and we try to be more and more inclusive…

I passed through some revolts and I found my role in it as a Portuguese woman with some Italian aspects. I bring all of them with me…

Now it’s time for a new adventure!

Rita Pinheiro

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